
Pois é. Há poucos dias disse que o único espetáculo que tinha assistido aqui no Rio de Janeiro era o dos ônibus lotados e que as praias avistei só de longe. Então, a coisa mudou um pouco agora. Não, eu ainda não consegui ir até uma praia bacana, mas fui apresentado a outra coisa típica da cidade maravilhosa. Adivinhe. Se pensou em assalto acertou... (claro né, tem uma charge aí...) Isso mesmo, fui assaltado na "bela" avenida Brasil. O meu erro foi justamente não querer assistir, digo, sofrer com o espetáculo do ônibus lotado. Já era noite, voltava de um evento acadêmico e cansado decidi tomar um ônibus popularmente conhecido aqui como "frescão". Bom, é um ônibus de turismo, com ar condicionado e que segue pela pista seletiva daquela via pública que leva o nome de nosso querido país. Por conta de todos esses predicados sua passagem também é mais cara (4,50) e isso faz com ele não seja palco da tão constante super-lotação. Já havia viajado nesse "frescão" várias vezes e achava que valia a pena fugir do empurra-empurra e chegar mais rápido em casa. Como sou tolo...
Pois bem, entrei no tal meio de transporte e iniciei a viagem ouvindo Smashing Pumpkins no talo. O Billy Corgan ia ali me ninando enquanto eu pensava nas coisas que tinha para resolver, como questões relativas à minha pesquisa, quando de repente tudo aconteceu...
Estava quase dormindo (imagine) quando assustei com uns caras que começaram a fechar as cortinas do ônibus desesperadamente. Na hora eu pensei (você vai rir com certeza) que estava acontecendo alguma coisa do lado de fora e nisso não ouvia nada, pois meu amigo Billy continuava cantarolando nos meus ouvidos. Resolvi retirar os fones e perguntar para o sujeito que fechou a cortina de minha janela o que estava acontecendo: "Cara, o que aconteceu?" E ele gentilmente respondeu: "passa!" Eu por minha vez disse: "uai, passa o que? Tendo como resposta: "tudo mané! " Passaram-se alguns segundos até que eu entendesse que era um assalto... Nisso o cara ficou me olhando como se pensasse: "Caraca mané, esse cara é doido!" Eu ainda dei uma olhadinha para trás e vi o "parceiro" que limpava sem dó nem piedade os outros passageiros. Bom, "perdi" o mp3 (ainda podia ouvir o som dos Smashing Pumpkins rolando...), o celular, uns 30 reais e a mochila cheia de textos e referências... (quem sabe os caras não foram para casa ler Gramsci?).
Foi uma experiência lastimável. Muita gente pode achar bobagem, mas o "da roça" aqui nunca havia sido assaltado. Um amigo sempre dizia que isso se devia ao fato de eu possuir uma cara de "mano" danada. O problema é que aqui no Rio não tem mano e sim mané.... Todo o "espetáculo " durou uns 10 minutos, que pareciam intermináveis. O chefe gritava (sempre tem que ter um líder): "sem vacilação! num fica de vacilação! eu quero tudo! tênis, celular, aliança... se ficar de vacilação eu vou esculachar". Ele cooordenava toda ação e exigia que seus comandanos revistassem todo mundo. Bom, não vacilei e entreguei logo praticamente tudo o que tinha. Graças à Divina Providência consegui ficar com a identidade e os cartões de banco... O "chefe" ainda veio até mim (com a arma na mão) perguntando se eu havia entregado tudo. Eu disse que tudo estava com o parceiro dele e ele me agradeceu. Isso mesmo. Me deu um tapinha no ombro agradecendo a colaboração. Tudo muito breve, mas ironicamente revoltante.
Quando o ônibus finalmente parou eles saíram dizendo para ninguém dar sinal para os carros que passavam e foram embora em direção a uma favela. E tudo ali, na via urbana que leva o nome de nosso querido país. O motorista seguiu até um posto da PM, mas não havia o que resolver para nós passageiros... Entrei em um ônibus convencional da mesma linha e segui para a casa de minha tia. De lá pra cá minha coluna dói de tanto que estou nervoso, mas, fora isso, está tudo bem, ESTOU VIVO e escrevendo afinal. Quem sabe não vou à praia nesse fim de semana?
Aquele abraço!
Pois bem, entrei no tal meio de transporte e iniciei a viagem ouvindo Smashing Pumpkins no talo. O Billy Corgan ia ali me ninando enquanto eu pensava nas coisas que tinha para resolver, como questões relativas à minha pesquisa, quando de repente tudo aconteceu...
Estava quase dormindo (imagine) quando assustei com uns caras que começaram a fechar as cortinas do ônibus desesperadamente. Na hora eu pensei (você vai rir com certeza) que estava acontecendo alguma coisa do lado de fora e nisso não ouvia nada, pois meu amigo Billy continuava cantarolando nos meus ouvidos. Resolvi retirar os fones e perguntar para o sujeito que fechou a cortina de minha janela o que estava acontecendo: "Cara, o que aconteceu?" E ele gentilmente respondeu: "passa!" Eu por minha vez disse: "uai, passa o que? Tendo como resposta: "tudo mané! " Passaram-se alguns segundos até que eu entendesse que era um assalto... Nisso o cara ficou me olhando como se pensasse: "Caraca mané, esse cara é doido!" Eu ainda dei uma olhadinha para trás e vi o "parceiro" que limpava sem dó nem piedade os outros passageiros. Bom, "perdi" o mp3 (ainda podia ouvir o som dos Smashing Pumpkins rolando...), o celular, uns 30 reais e a mochila cheia de textos e referências... (quem sabe os caras não foram para casa ler Gramsci?).
Foi uma experiência lastimável. Muita gente pode achar bobagem, mas o "da roça" aqui nunca havia sido assaltado. Um amigo sempre dizia que isso se devia ao fato de eu possuir uma cara de "mano" danada. O problema é que aqui no Rio não tem mano e sim mané.... Todo o "espetáculo " durou uns 10 minutos, que pareciam intermináveis. O chefe gritava (sempre tem que ter um líder): "sem vacilação! num fica de vacilação! eu quero tudo! tênis, celular, aliança... se ficar de vacilação eu vou esculachar". Ele cooordenava toda ação e exigia que seus comandanos revistassem todo mundo. Bom, não vacilei e entreguei logo praticamente tudo o que tinha. Graças à Divina Providência consegui ficar com a identidade e os cartões de banco... O "chefe" ainda veio até mim (com a arma na mão) perguntando se eu havia entregado tudo. Eu disse que tudo estava com o parceiro dele e ele me agradeceu. Isso mesmo. Me deu um tapinha no ombro agradecendo a colaboração. Tudo muito breve, mas ironicamente revoltante.
Quando o ônibus finalmente parou eles saíram dizendo para ninguém dar sinal para os carros que passavam e foram embora em direção a uma favela. E tudo ali, na via urbana que leva o nome de nosso querido país. O motorista seguiu até um posto da PM, mas não havia o que resolver para nós passageiros... Entrei em um ônibus convencional da mesma linha e segui para a casa de minha tia. De lá pra cá minha coluna dói de tanto que estou nervoso, mas, fora isso, está tudo bem, ESTOU VIVO e escrevendo afinal. Quem sabe não vou à praia nesse fim de semana?
Aquele abraço!
3 comentários:
Pô Gugu, que situação desagradável cara! Mas pelo menos você já foi batizado aí no Rio, mesmo com sua cara de "mano". Agora você já sabe: para evitar assaltos, nas grandes cidades as pessoas andam em bandos e procuram grandes aglomerados. Os ônibus lotados não estão ali por acaso. Eles funcionam como uma defesa para que as pessoas não fiquem tão vulneráveis a essas ameaças. Num ônibus lotado é muito mais difícil o assaltante ter controle da situação; não consegue visualizar a maior parte das pessoas; tem dificuldade de locomoção; e, se ele vacilar, pode ser linchado pela multidão. Agora você já sabe: nada de "frescão". Num "frescão" todo mano vira mané.
Bom, agradecer pela colaboraçao da vitima com uma arma na mão poe abaixo toda gentileza que normalmente este gesto expressa. O Frescao realmente é bastante visado pela bandidagem porque quem anda de Frescao é turista ou bacana. è preciso conhecer a logica do raciocinio do bandido para evitar se tornar vitima desses filhas da puta.
Pois é caríssimos. O negócio é entender, pelo menos um pouco, como a cabeça desses seres trabalha, como disse Carlim, e elaborar estratégias de defesa, como indicou Pablo. Mas é foda (com o perdão dessa interessante expressão). Agora só ando de "fresquinho" ou "parador". Não é frescura, mas ainda dou preferência ao fresquinho pelo fato de ir pela seletiva, fora o ar-condicionado... Custando 50 centavos mais caro que o parador, o "fresquinho" tem andado muito lotado. Os assaltos ao "frescão" aumentaram demasiadamente por aqui e as pessoas tem boicotado a linha. Todos os dias, seja na fila dodno "fresquinho" ou na do "rápido" tenho ouvido histórias de assalto no "frescão". Ao que parece, a empresa pode até perder a concessão por falta de segurança para motoristas e passageiros. Sei lá, mas acho que a mudança de empresa exploratória não vai necessariamente mudar as coisas.
Enquanto isso vou cantando: "Malandro é malandro, mané é mané. pode crer que é!"...
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